Terezinha Rêgo: 45 anos dedicados à flora medicinal maranhense  escrito em terça 01 abril 2008 08:31

Blog de anesantos :Fique Antenado!, Terezinha Rêgo: 45 anos dedicados à flora medicinal maranhense

Reconhecida internacionalmente a doutora em Botânica e Fitoterapia, por Havana (Cuba), Terezinha Rêgo, 74 anos, mostrava interesse pela flora desde cedo. Aos oito anos ficava horas e horas observando as dálias cultivadas pela mãe no jardim da família (Casarão 151, Rua da Paz). Quando teve que escolher uma profissão, não pensou duas vezes: Farmácia.

O curso foi concluído em 1957 passando a trabalhar, inicialmente, nas invasões e periferias de São Luís. Foi nesse período que nasceu a sua preocupação com as pessoas que vinham do interior acostumadas a tratar doenças com ervas e que na capital não encontravam as mesmas plantas. 

A fitoterapeuta pesquisa há mais de 45 anos a flora medicinal maranhense e vem dando ao longo desses anos contribuição valiosa ao estudo das plantas medicinais, inclusive muitas já sendo produzidas em hortas comunitárias para fabricação de medicamentos largamente utilizados na sociedade maranhense, especialmente nas comunidades quilombolas. 

Terezinha Rêgo é uma profissional com inúmeras homenagens e prêmios nacionais e internacionais, em razão dos seus grandes trabalhos e pesquisas científicas. Recentemente, a doutora representou o Maranhão na Câmara de Comércio Brasil/China, onde recebeu homenagem e reconhecimento pelo envio de três medicamentos produzidos à base de ervas para o combate à pneumonia asiática na China.  

Hoje, Terezinha Rêgo coordena o Herbário Ático Seabra, na UFMA, visando à melhoria da qualidade de vida de diversas comunidades. Neste local, a fitoterapeuta presta consultas e cultiva uma ampla variedade da flora local que resultam, em 59 diferentes tipos de medicamentos fitoterápicos. Estes são distribuídos gratuitamente à população carente e vendidos a preços modestos, àqueles que podem pagar.   

Um dos mais recentes trabalhos da fitoterapeuta merece atenção especial, por se tratar de um programa de atendimento aos soropositivos, em que 26 pacientes estão sendo tratados com fitoterápicos, que ajudam no combate de doenças invasoras, muito comum nestes pacientes.


Mais informações:

Consultório da Dr. Terezinha Rêgo
Contato: 2109 8524; 2109 8527; 2109 8525


 

 

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Quem matou Aparecida  escrito em quarta 26 março 2008 10:39

Blog de anesantos :Fique Antenado!, Quem matou Aparecida

Sou Gullarmaníaca de carteirinha. Por isso disponibilizo aqui o cordel "Quem matou Aparecida", de Ferreira Gullar, um dos gigantes da nossa literaura. Confira!

 

Quem matou Aparecida

História de uma favelada que ateou fogo às vestes

Ferreira Gullar-1962

 

Aparecida, esta moça

cuja história vou contar,

não teve glória nem fama

de que se possa falar.

Não teve nome distinto:

criança brincou na lama,

fez-se moça sem ter cama,

nasceu na Praia do Pinto,

morreu no mesmo lugar.

 

Praia do Pinto é favela

que fica atrás do Leblon.

O povo que mora nela

é tão pobre quanto bom:

cozinha sem ter panela,

namora sem ter janela,

tem por escola a miséria

e a paciência por dom,

 

No dia que a paciência

do favelado acabar,

que ele ganhar consciência

para se unir e lutar,

seu filho terá comida

e escola para estudar.

Terá água, terá roupa,

terá casa pra morar.

No dia que o favelado

Resolver se libertar.

 

Mas a nossa Aparecida

chegou cedo por demais

por isso perdeu a vida

que ninguém lhe dará mais.

É sua história esquecida

de poucos meses atrás,

é essa vida perdida

de uma moça sem cartaz

que está aqui para ser lida

porque nela está contida

a lição que aprenderás.


Clique aqui para ler o cordel na íntegra

 

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Ilha Maravilha  escrito em segunda 24 março 2008 15:42

 

São Luís, velha catita, minha cidade bonita, debruçada sobre o Anil, podem julgar-te mendiga, descurosa rapariga, mas para mim, minha amiga, não há ninguém que consiga conter-me ou impedir que eu diga QUE ÉS A MELHOR DO BRASIL! O fragmento do poema Minha velha São Luís, de Fernando Viano, retrata bem os encantos e mistérios de São Luís.

O traçado de seus azulejos, o ladrilho de suas ruas, a alegria de seus festejos, a magia de seu folclore, a hospitalidade de sua gente fazem da Ilha Maravilha não ser apenas uma cidade. É uma pátria eminentemente histórica e de riquezas imensuráveis.

São Luís, a Upaon-Açu (Ilha Grande) dos Tupinambás, França Equinocial, Cidade do Senhor de La Ravardiere, Atenas Brasileira, Ilha do Amor, Jamaica Brasileira. São Luís, do Bumba-meu-boi, Tambor de crioula, Cacuriá, Reggae, Festa da Juçara. São Luís, dona de beleza singular conferida pelos seus sobradões de azulejos com soleiras de cantaria, beirais de faiança e sacadas de ferro. São Luís, lugar onde o passado se faz presente, conservado nas praças, igrejas, fontes, monumentos. São Luís, berço de lendas, de contos e relatos fantásticos. São Luís, que projeta sua beleza por onde passa é, sem dúvidas, ainda o melhor lugar para vivermos.

A nossa querida São Luís foi fundada em 1612 pelos Franceses, comandados por Daniel de La Touche, com a finalidade de instituir a França Equinocial. Não eram somente os franceses que queriam se instalar na capital. Os holandeses também a invadiram e os portugueses a colonizaram. Com essa diversidade de cultura e de pensamentos nasceu o povo ludovicense.

Mas o charme de São Luís não se deve apenas à beleza e valor do seu patrimônio arquitetônico, riqueza da culinária ou tradição na literatura. É quase impossível não relacionar a imagem de São Luís ao reggae. Nos sobradões, a nossa capital pode até ser Portugal. Mas no ritmo, é Jamaica. Nos clubes, nas ruas e até nas praias a onda gostosa do reggae de radiola contagia a todas as camadas sociais.

Tudo começou quando o magnata Riba Macedo trouxe de Belém do Pará um disco importado e começou a detonar na sua radiola as maiores “pedras de responsa”. Delírio total. Ninguém conseguia ficar parado ao som das “pedradas” vindas daquele verdadeiro paredão de som. O reggae inicialmente reinava nas periferias e tinha por adeptos principais os negros. Hoje, é natural ver um “play” curtindo um reggae no volume máximo do seu “carango”. São Luís ainda conseguiu se caracterizar com um estilo próprio, a mania de dançar agarradinho, que virou marca registrada do regueiro ludovicense.

Definitivamente o reggae aportou em São Luís do Maranhão. Aqui é verdadeiramente a capital do reggae e o melhor lugar para aprender, amar e conviver. JE T’ AIME, São Luís!

 

 

 

 

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Sob a lájea fria  escrito em segunda 24 março 2008 15:39

Manhã de sábado. Dia ensolarado. Pegar um bronze, sair com os amigos, cineminha com o love... Parecem boas opções para começar o final de semana, não acham? Porém, o passeio fúnebre no Cemitério do Gavião foi a bola da vez. Esse sem dúvidas foi o lazer mais incomum da minha vida!

O Tur sepulcral no Gavião propõe conhecer um pouco mais da história de personalidades ilustres, como o poeta Bandeira Tribuzzi, a líder política Maria Aragão, os escritores Sousândrade e Aluízio Azevedo, o ex-governador do Maranhão Benedito Leite, a “digníssima” Kiola Sarney, e aquela de “Simpáticas feições, cintura breve/ Graciosa postura, porte airoso/ Uma fita, uma flor entre os cabelos [...]”. Sabem de quem estou falando? Não! Pois essa aí é Ana Amélia, musa inspiradora de Gonçalves Dias.

E como não podia faltar, o inusitado. Narrativas bizarras também fizeram parte do rol cemiterial. Conta-se que uma garota chamada Ilma, se envenenou aos 21 anos e só contou ao padre o motivo. É aquele ditado: Três podem guardar um segredo se dois estiverem mortos. A noiva-cadáver que foi enterrada com todo o seu enxoval. O gato que não deixa o jazigo de Tribuzzi por nada! Só algumas vezes para dar uma olhadinha na mulher do poeta. Vida além-túmulo? Reencarnação? Guardião? Seria possível? Ah... não me leve a sério, isso é só  para quem acredita .ok. Existem ainda aquelas histórias exemplares como a do médico Neto Guterres, que aceitou fazer o parto de uma leprosa e acabou morrendo contaminado pela doença (ossos do ofício!).

Enfim, essa experiência incomum (como já disse) serviu para me lembrar ainda mais do meu e do seu carma que é a morte. Embora a tradição cristã estabeleça que a morte seja apenas uma espécie de sono profundo no qual mergulham os homens à espera do dia do Juízo Final, esse conceito que poupa gerações ao longo de séculos da idéia aterradora do fim definitivo não faz desaparecer a nossa sentença. Ela permanece. A morte continua sendo a única certeza da vida, é a expressão máxima da efemeridade das coisas. Lembre-se sempre, amável leitor, que algum dia Terás o sono sob a lájea fria.

 

 

 

 

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